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Apaguei mesmo '-'



Última edição por Akechi em Seg Fev 26, 2018 12:30 am, editado 1 vez(es)

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#2
 

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Ton - O conto de uma fada sem asas



Qual a imagem você possui ao ver uma garota sentada as margens de um precipício, as lágrimas lhes escapando enquanto seus pés balançam e o vento lhe toca seu cabelo? Qual a sensação o contraste do céu alaranjado com os fios brancos da jovem que inclina sua cabeça para trás lhe promove? O que se encontra por trás dos seus olhos castanho avermelhados que parecem perdidos procurando algo no horizonte?

Minha curiosidade perde-se em cada gota que desliza por minha face encontra seu jazigo em minhas roupas, em meu colo, minha vontade de lançar fora sobre o ar intenso deste local todas minhas preocupações encontram-se com a fatídica promessa que fizera antes, que encontraria meu primeiro lar e refaria minha vida. Allora tinha o estranho dom de me salvar, quando eu apenas devia estar morta.

Tudo começou quando eu ainda não tenho lembranças para relatar e apenas sei as histórias que me foram contadas. Ainda dormindo sobre um leito de hospital qualquer ou um sofá de um lugar desconhecido, não por eu estar doente, mas, porque muito de minha vida se resumira a acompanhar minha tutora e o mais próximo de mãe que eu tive, ouvia sobre como eu nascera do sangue e das chamas.

Uma mulher e um homem habilidosos, atacados por bandidos cruéis oferecendo suas vidas para que a minha tivesse continuidade. Nas mãos de Allora, renasci das cinzas e no fio da lâmina que levara o fôlego final de minha mãe, que mesmo em seus últimos suspiros,
escolhera me salvar instintivamente com um estranho trabalho de parto que me deslocara sutilmente, evitando assim que eu fosse perfurada.

Meu pai, lutou bravamente contra os malfeitores os derrotando eu seus últimos momentos também, ou assim, eu pensava. Allora me dizia que o soar da lâmina fora ensurdecedor e que as chamas ascendia a glória daquele ato. Por sorte, ao decorrer daquilo a mesma estaria de passagem e escolhera me salvar correndo o risco de envolver-se na luta. Ela sabia como uma mãe pensaria.


Em suas palavras, ela dizia que meu cabelo era branco porque a lâmina veio atrelada a meu espírito e meus olhos tinha aquela estranha cor pelas chamas que ardem em mim, o que, lendo seus relatórios vi que não era bem verdade. Minha pele abrasada, assim como meus fios, tiveram sua produção de melanina um pouco danificada. Não tivera muito impacto em minha pele, mas meus cabelos assim como pelos corporais, perderam toda tonalidade ficando brancos. O tom castanho avermelhado, foi proveniente de um sangramento leve interno dos meus olhos após toda agitação, o que não prejudicou minha visão.

Apesar disso, gostava da maneira como ela descrevia e também como se atentou a me repassar tudo que eu deveria saber para que seguisse o caminho dos samurais, mesmo que tenha vivido dentre ninjas durante toda minha infância e início de juventude. Dias e noites de treino com lâminas para que me tornasse hábil e todos utensílios de minha família original devidamente comprados.

Estaria feliz com ela, até que a morte resolveu novamente atrelar-se a minha jornada e caminhada. Em meus pensamentos hoje, quase penso na mesma como uma amiga que sempre volta de viagem, naqueles dias, retornaram. Em uma de nossas missões, vagando por entre as zonas de batalha, deveríamos tratar alguns feridos das lutas. Em suma, Allora faria o tratamento e eu daria auxílio, como o de costume.

Não esperávamos que as coisas saíssem do controle como ocorreu, entre um paciente e outro, surpreendo-nas e saltando nossos pensamentos, inimigos surgiam no recinto. Nossa frente de batalha parecera ceder aos ataques e apesar de poucos passarem com vida, estariam em nossa frente. Por instinto, eu levaria a mão a minha katana, sacando-a, mas, eram muitos e eu, seria apenas uma jovem sem muita experiência.


Tinha confiança em minhas habilidades entretanto e não cederia sem lutar, Allora entretanto, não permitiu e se lançou em minha frente, "afaste-se, deixa uma velha mostrar como faz", dizia ela. Nunca teria visto-a lutar, não conhecia suas habilidades, mas, quando as linhas se estendiam por seu rosto e o poder emanava de si, eu entendia que ela não era apenas uma médica qualquer.

Com uma força assustadora, desferia chutes contra seus inimigos que os quebravam, os arremessariam para longe, um por um. Eu estava convencida como uma tola de que tudo estaria bem, quando a mesma sabia o quão complicada era a situação. Mais e mais aparecia e ela já estaria exausta, em busca de ajudar, eu entrava na luta atravessando o peito de um e prosseguindo empalando outro antes de chutá-lo para longe. Podia ver que seus olhos me desaprovaram mas, não havia tempo para me mandar sair novamente da luta.

Infantil, eu me deparava então com algo que não esperava, em um ataque sorrateiro e um sussurrar do fim, um golpe me vinha pelo flanco ressoando como quebrantar dos ossos perante o grande cutelo que este portava. Meus olhos se fechariam um instante, sentia a morte acariciar meus cabelos, apenas, para voltar-se a sua verdadeira vítima.

A frente do golpe, com sua clavícula esmagada, Allora quebra o peito do homem com um soco e eu findo o último que estaria a frente com a katana.

Suas forças lhe escaparam, estaria caída sobre meu colo que eu cedera ajoelhada, mas conseguia falar. Meu coração aperta-se apenas com as lembranças daquele momento.
Os corpos de nossos inimigos nos enquadravam como uma moldura para o posfácio de uma batalha sangrenta. "Seu pai está vivo", dizia ela em meio aos soluços agoniantes com o sangue, "seu nome é Musashi Akechi... um samurai".

Um longo discurso inciaria-se, ao menos, para o que ela podia dada as circunstâncias e ainda que ao todo decorreram-se minutos, perdi anos naquele diálogo. Me contara que retornou para devolver-me, mas, não encontrou um pai e sim um moribundo sem condições de me criar. Decidiu de maneira egoísta que ela daria a continuidade a minha vida que minha mãe iria desejar.

Era jovem, tinha acabado de perder um filho assim como a falecida samurai e deixou-se levar por suas vontades sórdidas segundo suas próprias palavras, mesmo que para mim, essa vontade tenha sido o que me trouxe viva e bem até onde estou. Por fim, me aconselhou a procurar meu pai verdadeiro, poderia ser eu aquela que lhe traga de volta a seu estado normal, talvez ele precisasse tanto de uma filha, quanto eu precisaria de um pai neste momento.

Um sorriso me escapa ao lembrar disso, posso eu ser o alicerce de alguém, quando meus passos cambaleantes me trouxeram até aqui? Eu deveria continuar vivendo? Me levanto com calma, um pouca tonta, com fome e baqueada emocionalmente, afinal, ao fim daquilo ela me fez prometer, com uma afirmação covarde que não poderia negar naquela circunstância, ainda posso sentir sua voz sussurrando como se ecoassem em duas nuances de vós.

Prometa que vai carregar consigo a vida de suas duas mães, e, viver por nós...
Minha recordações pendem aos dias em que segurei pela primeira vez minha katana, com a mulher de cabelos brancos, assim como os meus, mas por razões diferentes me instruíra. Ela sequer sabia usá-la, caminhava ao meu redor com um livro sobre a técnica escrito por algum espadachin de tempos antigos, procurando me repassar.

Para sua surpresa, mesmo com aqueles métodos torpes, eu logo estaria realmente hábil com aquilo e meus golpes eram limpos e precisos. Como o vento, eu bailava pelos campos com movimentos rápidos e sutis, com uma flor de cerejeira em meio a tempestade saltava e rodopiava. Até o ponto em que aquelas aulas não bastavam mais.

Por vários dojos estive praticando, sempre acompanhada por ela, com toques sutis em minha lâmina repetidamente, como um agir impensado carregado do desespero, grito ao precipício enfurecida, o eco amplia-se, limpa minha mente com a voz de meus próprios lamentos.


A neblina e o anoitecer me envolvem, enquanto começo a bailar com a espada, como no nosso primeiro treino ocorreu. Minhas lembranças e realidade misturam-se, como se fosse aquela garotinha aqui brandindo o canto fúnebre da espada contra o vento, a beira da depressão geológica, buscando o fim da psicológica.

Eu busco a motivação que me pedira, que ambas pedira, busco as respostas do porque ambas doaram-se para que algo como eu permaneça viva. Meus olhos avivam-se, enchem de fúria, as lágrimas se cessam, que afinal eu deveria odiar? A resposta não é algo simples, mas, talvez no pânico algo de bom surja.

Viverei, ainda, que seja apenas a carcaça de algo que pudera ter existido, ainda que minha alma tenha ficado deitada ao lado de Allora aquela manhã, a garotinha morre, as lembranças desfazem-se, Ton vive, como o fio de sua lâmina e o continuar de duas almas iridescentes que sobrepõe o tom negro das cores que em mim habitam.

Estou confusa, triste, mas, possuo um nome e uma intenção. Este eu irei procurar e com ele o intento de encontrar também minha razão para viver. Não permitirei que finde-se aqui, limpo a poeira e começo os passos que me tiram daquele local, descendo de pedra em pedra, até onde está meu pai...

- Vou cumprir o desejo de vocês, só espero não encontrar um bêbado qualquer jogando a própria vida fora...

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