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Shogun Akechi - Bastidores de Uma Realeza



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#1
Fuera de línea
em Sex Fev 09, 2018 7:43 am


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Dizem que a alma de um samurai é como o aço mais resistente. Jamais é quebrantada, e quando está em seu pior, ela por mais que demore, irá se reforjar. E talvez a minha história prove isso.

Bom, tudo começou a algumas gerações atrás, quando um ancestral meu viajou de sua terra natal, até Midorigakure para uma negociação com o Daimyo. Suas culturas eram parecidas e os dois reinos iniciavam uma espécie de aliança. O enviado escolhido desta terra longínqua, fora um samurai do clã Musashi, que em suas terras ficou famoso por ter sido um dos generais mais icônicos do reino. Não era o mais habilidoso, mas era muito inteligente e um bravo samurai.

Após a conclusão das negociações, o general havia se encantando com Midori, prometendo então que um dia retornaria para estas terras para viver sua vida. O Daimyo daquela época gostou muito da presença daquele homem do sangue nobre que possuía, prometendo lhe nomear Shogun de suas terras.

O samurai ansioso, retornou para suas terras e levou algum tempo para convencer seu clã a aceitar sua ideia tão incomum. Entretanto, o samurai conseguiu quando estava mais velho, juntou sua família e suas riquezas e viajou novamente para a terra de Midigakure. E a partir daí, as novas gerações do clã Musashi, seriam criadas em Midori, incluindo eu.

O tempo do antigo general, que se tornou um Shogun, se foi e novas vidas surgiam. E enfim surgia Musashi Soki, um distinto samurai que casaria com uma honrada mulher em Midori. Sua união, daria fruto a seu filho, que sou eu, e que foi nomeado de Musashi Akechi e que talvez seria o último Musashi de sangue nobre da história do clã.

Como todo novo Musashi, eu em minha infância fui instruído por meu pai, aprendendo com ele sobre toda nossa cultura e desenvolvendo a alma e habilidades de um samurai. Cresci em um lar amável e com muita disciplina. Era da natureza dos Musashi, tentar realizar tudo perfeitamente. Mesmo sabendo que chegar a tal ponto, era impossível. Porém estava em nós sermos assim.

Quando completei 21 anos, eu havia me tornado um homem por completo, segundo a tradição do clã. E com isso herdei o dojo da família e meu pai, Musashi Soki, poderia descansar de seus afazeres, e apenas liderar os samurais de nossa região em paz.

Agora eu, um jovem samurai estava sozinho em passar os conhecimentos dos Musashi, pois meu irmão ainda era novo demais, com seus 11 anos. Mas não por muito tempo. Uma incrível e doce garota se tornava minha pupila. Não sei como os ventos a trouxeram a mais bela das pétalas da cerejeira até mim, mas eu sempre serei imensamente grato pelo vento ter sessado quando passou por aqui.




No começo nossa relação era totalmente de mestre e discípula. Mas com o tempo ela acabou passando muito tempo comigo, me ajudando em algumas tarefas de casa e até mesmo me convidando para ceia com sua família, dona de um restaurante bem frequentado na aldeia.

Porém, nunca desconfiei que aquilo levaria a um futuro tão feliz, afinal acreditava que minha pupila apenas estava sendo grata e gentil com seu mestre. E de fato estava. Entretanto... Em certa noite de lua cheia, enquanto as estrelas brilhavam e eu realizava meu treino noturno no pé da cachoeira. Eis que escuto um barulho no alto de uma árvore. Olhei e pensei que fosse apenas um pássaro voando. No entanto, o ruído tornou a se repetir. Parecia um espirro. Fui verificar e quando olhei para cima, vejo algo caindo imediatamente sobre mim e desmaiei com o impacto.

Poucos minutos depois eu acordo, com a bela e gentil Shimizu Yue ao meu lado, com os olhos um pouco triste e preocupados. Questionei o que estava acontecendo e ela revelou que estava me espiando, pois queria aprender mais sobre a espírito do espadachim. Eu dei uma bela risada e a constrangi. Me desculpei ao perceber e a convidei para treinar, oferecendo minha katana. Expliquei o que ela deveria fazer e mostrei uma sequência de movimentos. Ela disse que havia compreendido tudo e memorizado. Eu duvidei um pouco, admito. Mas realmente ela tinha absorvido todas as informações.

Então ela tomou a espada para si, subiu na rocha próxima a queda da cachoeira e ela repetiu os mesmos movimentos que fiz. Havia uma pureza estonteante. Não era atoa que era uma Shimizu. Sua concentração era admirável e seu olhar era penetrante. A água esvoaçava envolta dela, com flores de cerejeira sendo carregadas pelo vento. A lua criava uma iluminação perfeita, refletindo cada golpe com a katana. Quando menos percebi, estava de queixo caído e sem reação. Tudo nela era magnifico e fazia meu espírito exaltar e meu coração acelerar. Estava apaixonado por minha aluna. Que maior tragédia poderia acontecer com um jovem samurai como eu?

Ela terminou os movimentos. Agradeceu a natureza pelo momento que teve de harmonia e compreensão natural. Lá de cima da pedra ela fazia uma breve mensura a mim com uma referência, me agradecendo também com seu sorriso. Mas quem estava grato era eu. Por poder apreciar a maior apresentação que um homem pode ver. Ela me perguntava se tinha feito tudo certo, e eu afirmei que sim. Contente com seu esforço, ela saltitou e acabou escorregando da rocha. De supetão eu a peguei antes que caísse no chão e se machucasse. Senti que seu kimono estava úmido, assim como seus cabelos. Um silêncio invadia nossos pensamentos, enquanto ambos permaneciam com os olhos fixados um no do outro.

E foi então que tudo começou em minha vida. Com um simples acidente. Estava lá ela, Em meus braços. Mas não demonstrava medo pela queda. Era como se soubesse que eu a salvaria. Era como se ela quisesse que eu a pegasse. Ela me olhou. Com aquele olhar. Sim. Aquele que homem algum não resistiria. Então ela estreitou os olhos e foi fechando-os. Inclinava seu pescoço para frente. Estava entregue. A mim. Um samurai que nunca havia sido derrubado fora de um treino. Estava lá, sem reação. A flecha mais poderosa tinha acertado minha alma e controlado meu corpo. Fechei meus olhos e aproximei minha face até ela. Nossos lábios se tocaram. E então o tempo parou.

Não sei dizer, mas assim que abri meus olhos e Yue os dela, a chuva estava caindo forte e um raio caia no alto do rio. Parecia até que aquele relâmpago era um sinal, avisando que a partir daquele momento, minha vida seria agitada em meu futuro.

Bom, a partir daqui já se deve imaginar como as coisas aconteceram. Eu a deixei em sua casa naquela noite. Não nós tocamos novamente. Mas todas as noites sempre íamos até a cachoeira para se encontrar em prol do treino. Mas em outras noites...

Nossa relação tinha crescido. Fazíamos um casal perfeito. Tomamos coragem e revelamos nossa relação para os pais dela. Explicamos tudo. E confesso. Eu estava apavorado. Eu era o sensei dela. O que eles pensariam sobre aquilo? Mas para minha surpresa. Eles já imaginavam que um sentimento havia desabrochado na filha deles a muito tempo atrás. Os convites e admiração que Yue tinha antes de tudo aquilo, já denunciava que esse dia chegaria e que eles como pais, já estavam preparados, sabendo quem era o escolhido. E ficavam felizes por ter sido um Musashi, herdeiro do Shogun.

E assim a permissão foi concedida. Alegre como estávamos, decidimos ir passear. E naquela noite fomos novamente para a cachoeira. Nadamos no rio e nós amamos. Quando deixamos a água e descansávamos na margem. As coisas mudaram. O sentimento foi além do comum e lá nós geramos nosso único filho. Que seria chamado de Musashi Takeshi.

Com poucos dias ela descobriu e me contou. Naquele momento eu já tinha me decidido e a pedi em casamento. A resposta não foi outra. Ela aceitou e passamos a viver juntos após a cerimónia.

A vida foi boa conosco. A mesa sempre era farta para nós. Nosso filho crescia cada vez mais. E o dojo estava cheio de futuros incríveis espadachins e até mesmo alguns desses meus alunos, me acompanharam em incontáveis batalhas que houveram. Guerras e coisas assim. Meu nome até começava a ecoa pelas bocas dos aldeões como um hábil samurai em batalha. Virou uma rotina até, mas não me atrapalhou em nada. Até criei um laço maior com meus pupilos.

Um certo dia, o mais improvável aconteceu. Uma carta do Daimyo chegou até minha casa. Um convite para um chá com o mesmo. Não comentei com ninguém sobre aquilo, apensa fui no dia e horário marcado, assim como dizia na convocação. Quer dizer, um convite.

Me reuni com um grande guerreiro de Midori antes. Era o braço direito do Daimyo. Sua postura era sem igual. Até mesmo o mais bravo dos guerreiros, ficaria admirado. Mas finalmente o momento chegou. Entrei em uma sala espaçosa. Um serviçal falava para mim a grande honra que estava sendo concebida a um simples homem de Midori e que aquilo jamais se repetiria novamente. Ao menos não tão cedo. E de fato. Poder se reunir com o próprio Daimyo, como se fosse um vizinho, não era algo normal. Estava ansioso em saber o motivo de tudo aquilo. Então o mesmo serviçal abriu outra porta e lá estava o respeitável homem. De costa para mim. Sentado de joelhos na varanda da sala, olhando para uma cerejeira.

Uma mesa estava a sua frente e logo em seguida o mesmo me convidou para se juntar a ele. Fiz como pedido e me sentei de cabeça baixa sem olha-lo. Ele lia meus pensamentos e dizia que eu estava me perguntando o que estava fazendo ali. E de fato eu estava me questionando isso. Mas ele não respondeu de imediato. Primeiro tomamos o chá e comemos alguns petiscos. Realmente eram muito bons. Ele revelou que o chá foi feito com uma flor na qual ele mesmo cultivou. Que honra para mim beber de tal bebida.

Meia hora então se passou e finalmente ele falou o motivo da carta. Fiquei espantado com o que ouvi. Ele queria que eu o substituísse em uma reunião com alguns estrangeiros. Ele comentava também que não era uma decisão dele, e sim que seus conselheiros que fizeram essa exigência. Afinal, foi algo um pouco surpreendente para a corte. E o motivo pelo qual fui escolhido, era por eu ser muito parecido com o senhor feudal e que se tratando de um sósia do clã Musashi, certamente era confiável. Eu nunca havia pensado naquilo, pois não se vê um sujeito tão importante todos os dias. Então a comparação é quase impossível de se fazer. Mas lembro-me que vez ou outra, algum felizardo que viu o Daimyo, quando me viu, quase se enganou. E teve vez que alguém até se prostrou perante mim ao achar que eu de fato era o imperador. Eu não entendi, mas agora todos esses curiosos casos estavam explicados.

Eu como um humilde samurai, aceitei a tarefa. Com isso acabei visitando o castelo algumas vezes mais. Queriam que eu absorvesse o máximo do senhor feudal. Seu modo de falar, como andava. Suas expressões, seu apetite, algumas habilidades em particulares e demais outras exigências. A tal reunião enfim aconteceu e nada fora do normal ocorreu nela. Os detalhes da mesma não citarei, pois cortam meu pescoço se eu disser algo sigiloso assim. Mas minha mulher soube, obvio que eu falaria para Yue. E ela meio que comentou com sua mãe e seu pai, que por sua vez deixaram escapar tal informação sem querer para alguns amigos e clientes. E quando menos esperava, muita gente estava sabendo do meu encontro com o senhor feudal. Não os motivos, mas comecei a ser chamado pelos amistosos de " O Reflexo Daimyo" e pelos invejosos, de " O Falso Senhor Feudal ".

Eu não ligava para os nomes, mas esperava que não desse problema um dia. E para minha sorte não deu. As coisas continuaram como eram e a vida se prolongava. Eu ficava mais velho e meu corpo modificava. Meu filho agora estava um pouco mais crescido, sendo uma criança esperta. Yue era mais nova que eu e aguardava uma nova criança. Era uma menina e ainda não tínhamos decidido seu nome. Então como pôde perceber, comecei minha família bem cedo. E infelizmente cedo, seria quando eu os perderia.

Partimos agora para a pior fase de minha vida. Quando o aço da minha alma se estraçalhou e minha katana foi esquecida. Tudo começou em certa ocasião. Eu andava por Midigakure como de costume. Quando de repente fui abordado por dois sujeitos desconhecidos e com seus rostos cobertos. Eles tentaram me matar. Mas eu os derrotei facilmente. Antes de eu saber qualquer coisa, eles engoliram algo e em seguida estavam engasgando. Em menos de um minuto estavam mortos. Era veneno. Não entendi o motivo daquele ataque. Mas certamente não seria o último. Uma semana passou e mais uma vez eu perambulava. Andava desconfiado ultimamente. Notei olhares incomuns para minha pessoa nos últimos dias. Parecia que estavam me vigiando. Mas talvez fosse coisa da minha cabeça. Eu não sei. Mas a noite em que tudo iria mudar finalmente chegou.

Estava voltando para casa, depois de ter ido buscar um carrinho de lenha. Eu não vivia no centro, e sim mais próximo de uma floresta. Todavia, ainda dentro da cidade.  Estava silencioso, mas quando faltava uns 200 metros, ouvi uma gritaria. Era a voz de Yue e o choro de meu filho. Abandonei a lenha e corri o mais depressa possível. A porta da casa estava destruída e o piso molhado. A casa tinha dois andares e corri para o segundo. Lá vi minha esposa ajoelhada no chão com meu filho em seus braços. Eu corri até elas e vi meu pequeno Takeshi com uma grande ferida no pescoço e sangue por toda parte. Ele já estava morto naquele momento. Meus olhos se encheram de lágrimas e perguntava para Yue que também estava traumatizada, o que tinha ocorrido. Ela contou que alguns homens estavam na casa ainda.

Eu pasmei na hora. Como não tinha notado a presença atrás de mim? Imediatamente desembainhei minha katana e a levei para o alto, aparando um movimento que seguia contra meu ombro. Girei meu corpo para a esquerda e chutei o oponente em cheio, o jogando para o chão. Estava cobrindo o rosto. Mas eu via o sangue em sua espada. E era o sangue de Takeshi. Minha raiva explodiu com aquilo e matei em seguida o sujeito.

Entretanto, mais homens apareciam. Eles tinham vindo me matar. Mas encontraram apenas minha família e pretendiam calar as testemunhas. Meu filho foi o primeiro a ser alvejado por aparecer primeiro, e minha mulher seria a segunda, se eu não tivesse aparecido e acabado com ele. Eu estava cercado. Seria uma luta difícil. Mas eu estava concentrado e totalmente determinado.

O primeiro veio, eu desviei a espada dele e o cortei uma vez no pescoço. Ele foi ao chão enquanto se engasgava com o próprio sangue. O segundo veio junto do terceiro. Ele fez o primeiro ataque, eu bloqueei o golpe, puxei ele para frente e fiz com que o terceiro matasse seu companheiro. Empurrei ele contra o que seria o quarto e avancei contra o terceiro, fazendo três cortes em sequência. O primeiro no braço, fazendo soltar a arma. O segundo na dobra do joelho, obrigando o mesmo a se ajoelhar. O último eu cravei no topo da cabeça, até chegar na proteção da espada. A lâmina tinha penetrado perfeitamente no corpo dele. Foi uma sensação bem estranha. O quarto se mijou nas calças e saiu correndo. Tomei a adaga de um dos inimigos e a lancei contra as costas dele, fazendo-o cair na escada e se estatelando enquanto ia descendo debruço. Eu vi a cena com um olhar medonho e sem pena




Os inimigos tinham acabado. Ao menos era o que eu esperava. Fui até meu filho, o abracei pela última vez. Pus minhas lágrimas para fora e chorei por meu pequeno samurai.




Minha mulher apenas observava triste. E foi esse observar que salvou minha vida, pois em meus lamentos, eu não ouvi dois novos inimigos entrando pela janela. Eram os últimos dois, e um deles era o líder. Mas o capanga foi quem veio me matar com uma lança. Ele iria atravessar nós três com a arma. Yue viu aquilo e no mesmo instante me empurrou para o lado. A lança atravessou sua barriga. Eu fiquei sem reação na hora. Ver aquela lança atravessada nela, era demais para meu psicológico. Mas talvez não para o dela. Pois assim que a dor consumia seu corpo e ela via que seu fruto também havia sido atacado, uma gigantesca força que vai além do comum que brota apenas nas mães, surgiu em seu corpo e a fez aguentar toda a dor, se levantando imediatamente e atacando o desgraçado com uma mordida no pescoço que rasgou a pele do coitado. Ele poderia ter matado ela, mas morreria agonizando lentamente.

Yue agora se aguentava de frente para o último inimigo. Ele ria e debochava do próprio companheiro. Minha esposa retirava a lança de seu abdômen e dava sinal de que iria lutar contra o maldito assassino.




Ele retirou uma espada estranha. Era bem larga e parecia ser bem afiada. Era como se fosse um facão enorme. Eles começaram a lutar. Ele golpeava de cima, e ela desviava. Ela sempre foi ágil, não me espantava isso. Ele tentava outro golpe, e não acertava, dando clara vantagem a ela, que usou isso e o cortou com a lança em um corte diagonal, vindo da direta superior. Em outras palavras, eu vi Yue cortando o ombro esquerdo dele. Ele se irritou e deu um tapa forte nela. Ela não esperava por isso e foi para o chão, deixando a lança escapar para longe. Ele vinha com uma expressão de ódio. Ele iria dar fim nela agora. Eu vi a morte andando diante dela naquele momento. Gelei a alma e finalmente agi. Puxei a espada que estava fincada na cabeça do outro homem e corri em direção a ele. Mas eu estava desesperado, e ataquei sem pensar. Ele me bloqueou, atacando normalmente com uma força brutal, atingindo meu abdômen com um corte profundo e me fazendo escorregar e ir para o chão.

Ele foi até Yue, segurou firme com as duas mãos na espada. A ergueu e com um movimento ele a estocou no coração. Mal se podia ouvir o suspiro dela ao receber o golpe. Meus olhos arregalaram quando vi aquilo. Para completar ele torceu a espada e retirou a lâmina. Então ele olhou para mim, puxou um fósforo do bolso e acendeu um cigarro. Tragou uma vez e jogou o cigarro em direção a escada. Lá havia óleo inflamável espalhado por toda a casa e eu não sabia. Eu tinha sentido o cheiro forte, mas estava apressado demais para me preocupar com isso. E eis que o fogo começou e se alastrou por toda a casa. Ele me olhava como se não quisesse me matar. Como se tivesse tirado tudo de mim e realmente. Ele tinha tirado tudo. Ele entendia que a partir daquele momento eu não desejaria mais viver. Passou por mim e foi saindo para o telhado. Talvez foi a forma como tinha entrado, afinal a casa era coberta por uma grande árvore.

Eu fui até Yue. Ela estava se aguentando como podia, mas era o fim da linha. Eu não tinha palavras e apenas chorava. Ela me olhava com os olhos lagrimejantes. E então ela me fazia fazer uma promessa. Uma na qual eu relutava em aceitar. Mas ela sempre foi intensa demais e me obrigou a fazer. Prometi então o que ela pediu. Que eu vivesse. E que deixaria um dia deixasse Midori e desbravaria todas as terras possíveis. Ela sorria enquanto falava e sonhava com os próprios desejos. Sim, era o sonho dela sair de sua terra natal e ir visitar outras ilhas. E ela pedia para mim realiza-lo. O que eu não sabia, era que na verdade ela sabia o que pedia. E sabia que quando eu fosse para longe daqui, eu veria tantas coisas novas e diferentes, que um dia minha alma iria cicatrizar e o aço do meu espírito iria se reforjar. Eu como já disse. Aceitei e fiz a promessa. Me despedi com o último beijo em meio ao calor infernal que a casa gerava naquele incêndio.




Finalmente a vida de Yue a deixava e eu chorava sob sua face. Minha dor era terrível. Perdi minha esposa, filho e futura filha. Estava arruinado e sem futuro. E tudo por causa daquele assassino. Sim, minha raiva voltava. O desejo de vingança vinha junto. Sabia aonde estava, e com o ombro ferido, não seria tão simples ir para o detalhado. Então o assassino levaria algum tempo para subir. Minha expressão sumiu. Um vazio intenso me consumiu. Eu me levantei olhando para minha família assassinada. Eles seriam enterrados ali mesmo. Ou devo dizer incinerados? Peguei minha katana. Ao menos eles tiveram seu fim em casa e lá permaneceriam com suas cinzas. Subi para o telhado e vi o malfeitor tentando subir por uma corda. Eu chamei sua atenção. Disse que ele iria pagar pelas vidas que tomou.

Neste instante escutei trovões e alguém gritando sobre fogo em uma casa. Meu lar já estava tomado em chamas e apenas o telhado estava ainda em pé. Faltava poucos minutos para tudo desabar. E então a chuva forte começou. Meus cabelos logo ficaram molhados. Sentia o cheiro penetrando em minhas narinas, quando as primeiras gotas de chuva tocavam o chão e as bactérias reagiam aquilo e formava aquele perfume tão distinto. Algumas pessoas iam se reunindo em volta da casa. Uma kunoichi em missão atrás desses mesmos homens, adentrou sem eu perceber na casa e viu os corpos mortos. A mesma apanhou ambos e os retirou dali. Sem eu saber, em algum local, a kunoichi que era uma ninja médica, conseguiria salvar a vida da pequena menina que iria nascer meses depois. Todavia, eu não a veria mais. Enquanto isso, os demais conseguiam me ver encarando o outro sujeito. Estavam preocupados. Mas todos ali entendiam o que ia acontecer. Apenas um sairia com vida.

Mais um trovão e então eu me posicionei. Arrastava meu pé esquerdo para frente, o deixando completamente ereto e flexiona a outra perna, abrindo minha base como se fosse um leque, com o joelho apontado para o lado oposto. Enquanto minhas pernas se posicionavam, meus braços se erguiam com minha katana rende a minha cabeça, com o fio de corte virado para cima e a ponta da lâmina na horizontal em direção ao inimigo. Eu olhava para meu alvo e então fechava meus olhos e deixava meus ouvidos trabalharem. Sentia que não poderia confiar apenas em minha visão. Então apostei tudo que tinha no som. Se era para mim viver de fato, seria naquele tudo ou nada.




Meu adversário se movia. Ele vinha correndo. Eu estava totalmente concentrado e imóvel. Ouvia cada estilhaçar de telha que ele fazia e até mesmo sua respiração. Era um momento inédito para mim, pois mesmo meditando assim, nunca tinha tentado nada igual. O oponente se aproximou e saltava logo em seguida, erguendo sua espada o mais alto que ele podia. Um propicio de relâmpago começava a ecoar. Era alto. Eu identificava com o som a localização do meu oponente. Abaixava um pouco, pegando impulso com as pernas e então eu saltava na diagonal dele. Um salto alto e poderoso. Ele fez seu golpe. Pelo cortar do vento, ele vinha em direção a meu pescoço. Girei me braço um pouco e posicionei minha katana verticalmente próximo ao ponto de colisão.

PLIN!

As espadas se chocavam e meu corpo voava para o alto, enquanto o dele ia caindo no chão.O inimigo tinha desperdiçado seu ataque e agora eu faria o meu. Ainda no ar, eu relaxava meu quadril, o e movia minhas pernas para trás. Segurava firme na espada e a começava a rotação com meu braço, descendo a katana contra ele. Uma explosão ecoou das nuvens e um relâmpago disparou em direção a nós. O desgraçado tentava bloquear meu golpe, mesmo estando ajoelhado no chão. Ele via o raio vindo e em seguida olhava para minha expressão selvagem. Consegui ver o medo estampado na cara dele. E nesse instante o relâmpago chegou a seu ponto. Ou deveria dizer sua ponta? Yeh! O raio atingiu a ponta de minha katana no auge do golpe. A descarga elétrica passava pela lâmina, tão rápida, quanto o corte que eu fazia. O sujeito conseguia bloquear meu golpe, mas minha katana e meu corpo estavam em alta voltagem. Nada impediria aquilo. E assim que ambas espadas se chocaram, a minha katana prevaleceu e estraçalhou a espada do oponente em dezenas de milhares de pedaços. Em seguida a única coisa que todos espectadores puderam ouvir, era o ecoar breve da voz do desgraçado quando ele percebeu que era seu fim, pois fora tão rápido que minha katana cortou a cabeça dele, que mal deu tempo do grito continuar.




Neste instante outra explosão aconteceu. O do próprio relâmpago. Afinal fora tudo tão rápido, que no momento que eu cortei o raio e a ele também. Uma explosão ocorreu e me jogou para longe dali já desacordado, com minha espada ainda em mão.

Eu não pude ver o fim do incêndio. Talvez fosse o destino. Os aldeões cuidaram de mim e me trataram. Quando finalmente estava recuperado, eu pude sair. Estava com algumas faixas enroladas pelo abdômen e nos braços. O corte foi profundo na barriga e deixaria uma bela cicatriz para me lembrar por toda a vida daquela noite. E também algumas queimaduras nos braços por ter aguentado tamanha descarga elétrica sobre meu corpo.

Mas aquilo não me impedia mais de caminhar. Fui então até minha casa e a única coisa que vi, foram cinzas e mais cinzas, e muita madeira queimada. Alguns objetos pessoais jogados pelos cantos e todos com sinais de queimadura. Meu dojo estava arruinado. Não havia sobrado nada. A árvore acima da casa, agora havia apenas um toco comprido. Levaria anos até que ela voltasse a ser como era. Andei pelos escombros e quando menos esperava, encontrei uma flauta e um sino que Yue e Takeshi gostavam. Logo mais achei uma joia que os dois compartilhavam. Algo entre mãe e filho. Estavam todos destruídos. Mas o sino funcionava e a flauta precisava de alguma restauração para funcionar direito. Os guardei comigo e esperei o tempo passar.

Aquela noite ficou muito falada desde então. Alguns me admiravam pelo feito e me chamavam de “ O Relâmpago de Midorigakure ” ou “ Trovão em Fúria “. Já outros davam suas condolências por minha perda. Eu sinceramente não ligava para nada. Não me importava com o que achavam. Não conseguia ver mais razão para minha vida. A única coisa que me prendia em não cometer Seppuku, era a promessa que eu havia feito, pois até então a vergonha havia desmoronado sobre mim. Meu orgulho se foi. Minha honra tinha sido destruída. O Ying yang da minha vida, estava totalmente perturbado. Não havia mais equilíbrio em meu ser. Logo mais eu não podia me chamar de samurai. Eu estava condenado e no gosto forte e amargo do sakê, eu passei a viver acompanhado desta bebida, me levando cada vez mais a ruina.

Fui até a cachoeira na qual o amor de Yue me consumiu. Lá eu subi na pedra e praguejei maldições dos porque ela me fez fazer aquilo e joguei a joia no rio. Mas sem resposta, eu apenas chorei e ajoelhei perante a queda d’gua. Fiquei observando toda sua extensão e dizendo para ela que eu não queria mais ver tristeza alguma. Que tudo que desejava era ver as coisas belas da vida. Que me poupasse o quanto pudesse de ver sangue e morte. Não queria ver mais ninguém se machucando. E a partir daquele momento eu fechei meus olhos, prometendo abri-los apenas em certas ocasiões. Viveria a vida daquela forma. Na humildade de um cego.




E assim um bom tempo se passou. Ainda estava transtornado com minha vida. Mas já aceitado o pesar de minha alma. Contudo, não tinha um oficio. Conseguia sobreviver como um animal na floresta, caçando o que podia e pescando. Minha audição aflorava a cada dia. Isso a um custo. Eu deixava de ser o espadachim que um dia fui. Minhas técnicas decaiam e eu já não me reconhecia mais como um samurai realmente. Talvez essa fosse minha punição por não ter protegido minha família.

E assim a vida seguiu. Até o dia em que em minhas andanças por Midori, eu acabei encontrando um serviçal do senhor feudal. Estava a minha procura. Achei intrigante aquele encontro. Ele comentou que o Daimyo queria me ver mais uma vez. Eu recusei. Me prenderam por isso e me levaram a força. Não pude resistir, estava fraco demais. Levou uns três dias até que cheguei no castelo. Me escoltaram até a mesma sala com varanda no alto. A mesma mesa e o mesmo chá. Era nostálgico. A diferença desse encontro, era que eu não o tratava como antes. Não havia formalidade alguma no meu modo de falar e nem sequer o chamava de senhor feudal ou me referenciava. E ele também não fazia questão daquilo. Mas seus súditos sim. Seu amigo até me bateu e me questionou como eu ousava falar daquela forma com o senhor daquelas terras. Mas o mesmo impediu que me maltratasse mais.

O assunto fora mais breve dessa vez. Ele queria pedir perdão. Perdão, pois a culpa da morte da minha família, era dele. Disse que se não tivesse me usado como sósia, nada daquilo teria acontecido. Dizia que ele desconhece os motivos, mas que alguém queria matar o Daimyo, no caso ele. E que tinham me encontrado e se enganado, achando que eu era o imperador. E com isso minha família e eu sofremos por causa deste erro. Eu o perdoei. Não há nada que ele pudesse fazer. Ele então quis saber como eu estava realmente. Eu fui breve e contei. Ele queria saber também por mim como tudo ocorreu. Ele sabia sobre o acontecido, mas não todos os detalhes. Eu falei sem problema algum. Mesmo ele dizendo que se eu não quisesse, que não contasse uma palavra sequer. Porém, a única que não mencionei, foi a promessa.

Depois daquela conversa, ele parecia pensativo. Estava preocupado sobre meu futuro. E então perguntou o que eu faria da vida. Eu disse que esperaria a morte. E ele comentou que era um jeito muito cruel de se viver. Perguntou em seguida se eu não tinha algo que eu precisava fazer. Eu fiquei quieto. Ele descobriu meu segredo e falou que eu devia seguir em frente e cumprir o que quer que fosse. Caso contrário, Yue não me perdoaria. Sim, ele sabia seu nome. Fiquei surpreso e esbocei isso a ele. Mas ele tinha apenas jogado verde e colhido maduro. Muito esperto da parte dele. Mas foi bom, pois ele me convenceu de voltar a trilhar meu caminho. Talvez assim eu reforjasse minha alma. Então refiz minha promessa. Quando o fiz, o senhor feudal brincou, dizendo que cortaria minha cabeça, caso voltasse para casa sem ter cumprido tal promessa. Eu depois de tanto tempo, eu ri.

Tomamos mais um pouco de chá e enfim fui embora. Procurei um ferreiro em seguida e afiei minha espada e modifiquei ela, tirando sua proteção, para dar a entender que era apenas um bastão de um cego. Novamente eu era um samurai. Faltava procurar o meu verdadeiro equilíbrio e seguir em paz.




Todavia, paz era algo que não estava reservado para mim ainda. Meu irmão me procurou e me avisou da mais nova. O Shogun estava morto. Meu pai. Meu querido pai. Teria amanhecido sem vida e agora o filho mais velho deveria assumir seu posto.

O futuro dos samurais estaria nas mãos de um alcoólatra depressivo. O que seria do Templo dos Samurais?




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#2
Fuera de línea
em Seg Fev 12, 2018 11:12 pm


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Ton - O conto de uma fada sem asas



Qual a imagem você possui ao ver uma garota sentada as margens de um precipício, as lágrimas lhes escapando enquanto seus pés balançam e o vento lhe toca seu cabelo? Qual a sensação o contraste do céu alaranjado com os fios brancos da jovem que inclina sua cabeça para trás lhe promove? O que se encontra por trás dos seus olhos castanho avermelhados que parecem perdidos procurando algo no horizonte?

Minha curiosidade perde-se em cada gota que desliza por minha face encontra seu jazigo em minhas roupas, em meu colo, minha vontade de lançar fora sobre o ar intenso deste local todas minhas preocupações encontram-se com a fatídica promessa que fizera antes, que encontraria meu primeiro lar e refaria minha vida. Allora tinha o estranho dom de me salvar, quando eu apenas devia estar morta.

Tudo começou quando eu ainda não tenho lembranças para relatar e apenas sei as histórias que me foram contadas. Ainda dormindo sobre um leito de hospital qualquer ou um sofá de um lugar desconhecido, não por eu estar doente, mas, porque muito de minha vida se resumira a acompanhar minha tutora e o mais próximo de mãe que eu tive, ouvia sobre como eu nascera do sangue e das chamas.

Uma mulher e um homem habilidosos, atacados por bandidos cruéis oferecendo suas vidas para que a minha tivesse continuidade. Nas mãos de Allora, renasci das cinzas e no fio da lâmina que levara o fôlego final de minha mãe, que mesmo em seus últimos suspiros,
escolhera me salvar instintivamente com um estranho trabalho de parto que me deslocara sutilmente, evitando assim que eu fosse perfurada.

Meu pai, lutou bravamente contra os malfeitores os derrotando eu seus últimos momentos também, ou assim, eu pensava. Allora me dizia que o soar da lâmina fora ensurdecedor e que as chamas ascendia a glória daquele ato. Por sorte, ao decorrer daquilo a mesma estaria de passagem e escolhera me salvar correndo o risco de envolver-se na luta. Ela sabia como uma mãe pensaria.


Em suas palavras, ela dizia que meu cabelo era branco porque a lâmina veio atrelada a meu espírito e meus olhos tinha aquela estranha cor pelas chamas que ardem em mim, o que, lendo seus relatórios vi que não era bem verdade. Minha pele abrasada, assim como meus fios, tiveram sua produção de melanina um pouco danificada. Não tivera muito impacto em minha pele, mas meus cabelos assim como pelos corporais, perderam toda tonalidade ficando brancos. O tom castanho avermelhado, foi proveniente de um sangramento leve interno dos meus olhos após toda agitação, o que não prejudicou minha visão.

Apesar disso, gostava da maneira como ela descrevia e também como se atentou a me repassar tudo que eu deveria saber para que seguisse o caminho dos samurais, mesmo que tenha vivido dentre ninjas durante toda minha infância e início de juventude. Dias e noites de treino com lâminas para que me tornasse hábil e todos utensílios de minha família original devidamente comprados.

Estaria feliz com ela, até que a morte resolveu novamente atrelar-se a minha jornada e caminhada. Em meus pensamentos hoje, quase penso na mesma como uma amiga que sempre volta de viagem, naqueles dias, retornaram. Em uma de nossas missões, vagando por entre as zonas de batalha, deveríamos tratar alguns feridos das lutas. Em suma, Allora faria o tratamento e eu daria auxílio, como o de costume.

Não esperávamos que as coisas saíssem do controle como ocorreu, entre um paciente e outro, surpreendo-nas e saltando nossos pensamentos, inimigos surgiam no recinto. Nossa frente de batalha parecera ceder aos ataques e apesar de poucos passarem com vida, estariam em nossa frente. Por instinto, eu levaria a mão a minha katana, sacando-a, mas, eram muitos e eu, seria apenas uma jovem sem muita experiência.


Tinha confiança em minhas habilidades entretanto e não cederia sem lutar, Allora entretanto, não permitiu e se lançou em minha frente, "afaste-se, deixa uma velha mostrar como faz", dizia ela. Nunca teria visto-a lutar, não conhecia suas habilidades, mas, quando as linhas se estendiam por seu rosto e o poder emanava de si, eu entendia que ela não era apenas uma médica qualquer.

Com uma força assustadora, desferia chutes contra seus inimigos que os quebravam, os arremessariam para longe, um por um. Eu estava convencida como uma tola de que tudo estaria bem, quando a mesma sabia o quão complicada era a situação. Mais e mais aparecia e ela já estaria exausta, em busca de ajudar, eu entrava na luta atravessando o peito de um e prosseguindo empalando outro antes de chutá-lo para longe. Podia ver que seus olhos me desaprovaram mas, não havia tempo para me mandar sair novamente da luta.

Infantil, eu me deparava então com algo que não esperava, em um ataque sorrateiro e um sussurrar do fim, um golpe me vinha pelo flanco ressoando como quebrantar dos ossos perante o grande cutelo que este portava. Meus olhos se fechariam um instante, sentia a morte acariciar meus cabelos, apenas, para voltar-se a sua verdadeira vítima.

A frente do golpe, com sua clavícula esmagada, Allora quebra o peito do homem com um soco e eu findo o último que estaria a frente com a katana.

Suas forças lhe escaparam, estaria caída sobre meu colo que eu cedera ajoelhada, mas conseguia falar. Meu coração aperta-se apenas com as lembranças daquele momento.
Os corpos de nossos inimigos nos enquadravam como uma moldura para o posfácio de uma batalha sangrenta. "Seu pai está vivo", dizia ela em meio aos soluços agoniantes com o sangue, "seu nome é Musashi Akechi... um samurai".

Um longo discurso inciaria-se, ao menos, para o que ela podia dada as circunstâncias e ainda que ao todo decorreram-se minutos, perdi anos naquele diálogo. Me contara que retornou para devolver-me, mas, não encontrou um pai e sim um moribundo sem condições de me criar. Decidiu de maneira egoísta que ela daria a continuidade a minha vida que minha mãe iria desejar.

Era jovem, tinha acabado de perder um filho assim como a falecida samurai e deixou-se levar por suas vontades sórdidas segundo suas próprias palavras, mesmo que para mim, essa vontade tenha sido o que me trouxe viva e bem até onde estou. Por fim, me aconselhou a procurar meu pai verdadeiro, poderia ser eu aquela que lhe traga de volta a seu estado normal, talvez ele precisasse tanto de uma filha, quanto eu precisaria de um pai neste momento.

Um sorriso me escapa ao lembrar disso, posso eu ser o alicerce de alguém, quando meus passos cambaleantes me trouxeram até aqui? Eu deveria continuar vivendo? Me levanto com calma, um pouca tonta, com fome e baqueada emocionalmente, afinal, ao fim daquilo ela me fez prometer, com uma afirmação covarde que não poderia negar naquela circunstância, ainda posso sentir sua voz sussurrando como se ecoassem em duas nuances de vós.

Prometa que vai carregar consigo a vida de suas duas mães, e, viver por nós...
Minha recordações pendem aos dias em que segurei pela primeira vez minha katana, com a mulher de cabelos brancos, assim como os meus, mas por razões diferentes me instruíra. Ela sequer sabia usá-la, caminhava ao meu redor com um livro sobre a técnica escrito por algum espadachin de tempos antigos, procurando me repassar.

Para sua surpresa, mesmo com aqueles métodos torpes, eu logo estaria realmente hábil com aquilo e meus golpes eram limpos e precisos. Como o vento, eu bailava pelos campos com movimentos rápidos e sutis, com uma flor de cerejeira em meio a tempestade saltava e rodopiava. Até o ponto em que aquelas aulas não bastavam mais.

Por vários dojos estive praticando, sempre acompanhada por ela, com toques sutis em minha lâmina repetidamente, como um agir impensado carregado do desespero, grito ao precipício enfurecida, o eco amplia-se, limpa minha mente com a voz de meus próprios lamentos.


A neblina e o anoitecer me envolvem, enquanto começo a bailar com a espada, como no nosso primeiro treino ocorreu. Minhas lembranças e realidade misturam-se, como se fosse aquela garotinha aqui brandindo o canto fúnebre da espada contra o vento, a beira da depressão geológica, buscando o fim da psicológica.

Eu busco a motivação que me pedira, que ambas pedira, busco as respostas do porque ambas doaram-se para que algo como eu permaneça viva. Meus olhos avivam-se, enchem de fúria, as lágrimas se cessam, que afinal eu deveria odiar? A resposta não é algo simples, mas, talvez no pânico algo de bom surja.

Viverei, ainda, que seja apenas a carcaça de algo que pudera ter existido, ainda que minha alma tenha ficado deitada ao lado de Allora aquela manhã, a garotinha morre, as lembranças desfazem-se, Ton vive, como o fio de sua lâmina e o continuar de duas almas iridescentes que sobrepõe o tom negro das cores que em mim habitam.

Estou confusa, triste, mas, possuo um nome e uma intenção. Este eu irei procurar e com ele o intento de encontrar também minha razão para viver. Não permitirei que finde-se aqui, limpo a poeira e começo os passos que me tiram daquele local, descendo de pedra em pedra, até onde está meu pai...

- Vou cumprir o desejo de vocês, só espero não encontrar um bêbado qualquer jogando a própria vida fora...

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